Soneto ao sono de Nina
Se te vejo como à uma flor ou como nuvem,nao sei.
Sinto-te porém,presente no passado,distante no presente.
Antecipação da angústia de um certo desapego renitente.
À saber, a aurora de um dia porvir em que descrente partirei.
Acho que estás fingindo uma fortaleza.
Na torre por detrás de um sol desenhado.
Pintado à luz envolta em livros e papel rabiscado.
Um observatório imaculado de terna pureza.
Você se expunha e recostava a porta,
esmaecia e voltava a gargalhar.
Era de uma vez, lúbrica e menina.
Descia da lua e dançava a polca,
reclusa a uma cela ou livre sobre o mar.
Mas sonhando feito anjo,queria ser como sua gata,Nina.
*a primeira de uma série de 11 textos com nomes femininos que eu sinceramente espero ter disciplina o suficiente pra concluir.
terça-feira, 31 de julho de 2007
sábado, 28 de julho de 2007
Dom Quixote
‘Você aceita ser a minha futura ex-namorada?’não pareceu ser a pergunta que ela esperava,
Eu pude ver isso nos olhos dela,um misto de espanto,desprezo e decepçao.Ora,eu não podia ser sincero?
É esse o preço que se paga por não iludir os outros? O que mais eu podia dizer? ‘Eu te amo,não consigo viver sem você,vamos passar o resto da eternidade juntos...’ Não,isso eu não podia dizer. Nao de novo,pra outra mulher com quem, eu sabia, iria passar uns meses divertidos e acabaria por terminar tudo.Fosse por alguma frase estúpida dela,por cansaço da iminente rotina que se seguiria ou simplesmente pelo meu desejo,que eu por vezes julgo egoísta,de liberdade,eu tinha a terrível certeza de que não,eu não passaria o resto da eternidade junto a ela. E no fundo,ela também provavelmente sabia disso.Entao por que essa necessidade quase primitiva de ouvir mentiras rasas e promessas que fatalmente não iríamos cumprir?
Seria tão mais simples se aceitássemos o fato,pessimista,porém um fato,de que nada dura pra sempre.
Se todos nos conformássemos com o ‘eterno enquanto dure’,não haveria injurias em términos de relações.
E qual o grande mal em se terminar relações? É lógico,não são dias dos mais ternos,mas não deveriamos tampouco fazer disso uma hecatombe sentimental,um holocausto amoroso,uma febre-amarela no coração. Imaginem vocês se comemorássemos todos, o fim,como uma nova era,um inicio,um conhecer a espreita.Um ciclo que não se esgota,trazendo consigo uma leva de novos velhos-amores e corações partidos.Mesmo com a certeza de um afogamento por vir dentre tantas águas...Nao um,mas vários e vários afogamentos e tempestades em copos d’agua.Celebremos todos,pois, separações e rompimentos.
Idas e vindas.Terminos e voltas.Que graça teria a vida se não fossem os encontros e desencontros?
Os inícios e finais...Celebremos sim,os finais!As mulheres com potes de sorvete,lagrimas,’Lendas da paixao’e colos de amigas.Os homens com cervejas,humor negro,filmes adultos e shows de strippers.(e quando finalmente sozinhos em casa...aí sim,lágrimas).Comemoremos as possibilidades que novas eras nos trazem.Seria tão mais simples se ao invés do tapa na cara que se seguiu a pergunta do inicio,ela tivesse apenas rido e lembrado que ‘depois do começo,o que vier vai começar a ser o fim’...
*antes que alguem pergunte...não,não é baseado em fatos reais
e não ,eu não pretendo perguntar isso um dia.
ah,e tá sem correçao pq eu não tive saco pra isso.ponto.
Eu pude ver isso nos olhos dela,um misto de espanto,desprezo e decepçao.Ora,eu não podia ser sincero?
É esse o preço que se paga por não iludir os outros? O que mais eu podia dizer? ‘Eu te amo,não consigo viver sem você,vamos passar o resto da eternidade juntos...’ Não,isso eu não podia dizer. Nao de novo,pra outra mulher com quem, eu sabia, iria passar uns meses divertidos e acabaria por terminar tudo.Fosse por alguma frase estúpida dela,por cansaço da iminente rotina que se seguiria ou simplesmente pelo meu desejo,que eu por vezes julgo egoísta,de liberdade,eu tinha a terrível certeza de que não,eu não passaria o resto da eternidade junto a ela. E no fundo,ela também provavelmente sabia disso.Entao por que essa necessidade quase primitiva de ouvir mentiras rasas e promessas que fatalmente não iríamos cumprir?
Seria tão mais simples se aceitássemos o fato,pessimista,porém um fato,de que nada dura pra sempre.
Se todos nos conformássemos com o ‘eterno enquanto dure’,não haveria injurias em términos de relações.
E qual o grande mal em se terminar relações? É lógico,não são dias dos mais ternos,mas não deveriamos tampouco fazer disso uma hecatombe sentimental,um holocausto amoroso,uma febre-amarela no coração. Imaginem vocês se comemorássemos todos, o fim,como uma nova era,um inicio,um conhecer a espreita.Um ciclo que não se esgota,trazendo consigo uma leva de novos velhos-amores e corações partidos.Mesmo com a certeza de um afogamento por vir dentre tantas águas...Nao um,mas vários e vários afogamentos e tempestades em copos d’agua.Celebremos todos,pois, separações e rompimentos.
Idas e vindas.Terminos e voltas.Que graça teria a vida se não fossem os encontros e desencontros?
Os inícios e finais...Celebremos sim,os finais!As mulheres com potes de sorvete,lagrimas,’Lendas da paixao’e colos de amigas.Os homens com cervejas,humor negro,filmes adultos e shows de strippers.(e quando finalmente sozinhos em casa...aí sim,lágrimas).Comemoremos as possibilidades que novas eras nos trazem.Seria tão mais simples se ao invés do tapa na cara que se seguiu a pergunta do inicio,ela tivesse apenas rido e lembrado que ‘depois do começo,o que vier vai começar a ser o fim’...
*antes que alguem pergunte...não,não é baseado em fatos reais
e não ,eu não pretendo perguntar isso um dia.
ah,e tá sem correçao pq eu não tive saco pra isso.ponto.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Choveu(ou O arquiteto do Taj Mahal)
Choveu! Enfim!!
Eu vou roubar você.
Te levar pelas pracinhas e igrejas das cidades mais menos empolgantes que eu consigo me lembrar agora.Um pedaço de paraíso no meio da avenida mais infernal que eu puder me esquecer depois.
Vou te comprar suspiros,e sorvetes,e sonhos.E eu não estou falando dos de padaria.Vou te envolver,te perder a cabeça.
E depois vou te deixar em casa.
Eu vou roubar você.
Te levar pelas pracinhas e igrejas das cidades mais menos empolgantes que eu consigo me lembrar agora.Um pedaço de paraíso no meio da avenida mais infernal que eu puder me esquecer depois.
Vou te comprar suspiros,e sorvetes,e sonhos.E eu não estou falando dos de padaria.Vou te envolver,te perder a cabeça.
E depois vou te deixar em casa.
sábado, 21 de julho de 2007
Allegro
Nada respira como antes.Vejo a janela se acender,o fogo arde,mas nem dá tempo.Eu vi o sonho esmoecer,eu vi um sonho.Eu vi a luz no fim do tunel,uma bala vindo na minha direçao.É só o fim,nada demais.Ninguém é tão bom que nao possa morrer vez ou outra.Ninguém é tão ruim que mereça viver eternamente.Ah, deixa essa fúria toda escoar,deixa a chuva levar.Deixa a chuva.Eu vi o futuro por cima de um muro de hipocrisia,o futuro morreu.Não a hipocrisia.Eu liguei a t.v.Tava lá em cores,a esperança foi internada.Ninguém visitou.Fecharam a enfermaria,liberaram os médicos,demitiram as enfermeiras.Nada respira como antes.O fogo arde.Foda-se.Ninguém é tão bom que nao possa se foder numa noite qualquer.Ninguém.Eu vi o passado,amor.Ele tá aqui agora,tá bem aqui.Olha lá.Abre a porta,deixa o passado entrar.Não queremos que ele pule a janela,que entre pelos fundos.Vejo a janela se acender,o fogo arde,mas nem dá tempo.É só o fim,nada demais.Nada mais.
terça-feira, 17 de julho de 2007
Luz e alegoria
Eu quero um amor de carnaval.Um amor de domingo a tarde,de pao-doce no café da manha,de xícaras de chá de maçã.Uma coisa assim meio Blockbuster,meio chuva de verão.Um amor bossa-nova,um barquinho a deslizar...Reprise dos Trapalhões,filé com fritas,telefone tocando em um sábado à anoitecer.Vamos?Claro!Vamos!Um amor paixão,matinê e pipoca,uma árvore,a maior árvore!Do mundo!Sentar em baixo da copa e dormir,de repente.E acordar sorrindo,e dormir chorando pra no dia seguinte sorrir outra vez.Rio,Paquetá e montanha.Mar.Um amor mingau de Maizena em prato fundo,mas todo mingau é mesmo tomado em prato fundo,anyway.Um amor que acabe,pra poder ter do que lembrar.Até serve um que acabe bem lá pro final,quando outro já não houver.Ou um que dure pouco,mas ai...Um amor em demasia que denude a alma,essa feita de luz e alegoria.Um amor de carnaval,sim,me basta que seja até quarta-feira,e que quarta-feira nunca chegue.Assim,de canto.Assim.Mas depois,que agora faria-se apressado,e disso eu não gosto não.
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